Aviltamento

*este poema está entre os primeiro escritos

Dá-me o prazer de escrever,
E não me tira a visão.
Dá-me letras bem arranjadas
Desde que não se aproxime de mim
A demência de espírito.

Cerca-me de ouro,
Mas não me condene às trevas da alma,
Onde regozija a amargura
E regurgito o meu fel.

Não me entorpeça a visão
Porque palavras proferidas de vaidade,
Palavras proferidas de pretensão
São minha perdição, meu cárcere.

Minha alma,
Qual pobre por si,
Está encardida da infinita ilusão da sensatez
(dói tanto meus erros)
Mas não sou errante?
Não sou desse mundo?

Corte-me a garganta,
Antes que as profira,
E a mão: logo corte-a !
Para que não subjugue meu irmão.

Quando o peso não está nas costas
Pesa minha alma de conceitos
E de preconceitos rogados.
Pesa minha alma
De tanta ilusão desiludida.

Não me queira mal
Porque sou assim.
Mas extermine minha raça
Para que não haja tácitos no mundo.

E onde corre o rio
Fértil da vida
Farto de peixe
Corre o risco da ira
Da vaidade escondida
De quem declama
À própria alma o poder.


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